segunda-feira, 24 de maio de 2010

SINTO VERGONHA DE MIM

De novo cito Rui Barbosa com um poema extraordinário, também ele actual.

Sinto vergonha de mim...
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade,
e por ver que este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar os meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes e dos vícios,
a ausência de sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
e tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
e tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
e tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer.

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minha desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação da nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo...

Como eu próprio me identifico com estas palavras!
Não só tenho vergonha como peço a Deus perdão pelos meus cómodos, mas criminosos
silêncios.
Falta-me a eloquência de Rui Barbosa, reconheco-o, por isso, deixem-me fazer minhas as suas palavras!

Por estas e por outras, Rui Barbosa estará sempre vivo na memória de todos nós!

O KOHELETH

VERGONHA

Benedito Rui Barbosa foi um homens mais brilhantes do Brasil do século XIX e XX.
Jornalista, Político, Jurisconsulto foi deputado e candidato à presidência da República brasileira.
Um dos maiores pensadores da sua época, era no entanto um homem muito à frente do seu tempo.
Ler os seus textos discursos epensamentos, causa calafrios devido à sua actualidade passados quase noventa anos sobre a sua morte.
Escolho um desses discursos proferidos perante o Senado em 1914:
A falta de justiça, senhores Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo o nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.
A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta dos homens, os auxílios, os capitais.
A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor o espírito dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar se não na sua estrela, na fortuna, no acaso, na lotaria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.
De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
Essa foi a obra da República nos últimos anos. no outro regime, o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, cuja severidade todos se temiam, e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade.
Guardadas as devidas distâncias assim como alguns poucos pormenores desfasados, esse texto, tal como outros, continua a ser actual.
Ainda precisamos ouvir vozes como essa!
PENSE, REFLITA!
O KOHELETH

MANICÓMIO

Nos anos 70, dizia-se que Portugal era um manicómio em auto-gestão, o que na altura nos parecia algo excessivo, embora hoje tenha outra opinião.

Estamos em 2010, mas já não é só Portugal, mas todo o Planeta Terra se tornou um gigantesco MANICÓMIO.

Não sou sociólogo, mas do meu posto de observação posso constatar que, de facto, o mundo, a sociedade entrou numa loucura colectiva, a começar de um lado pelos líderes políticos, e pelo outro dos líderes religiosos.

Os mídia dão-nos um enormíssimo rol de notícias que confirmam a minha asserção.

Como se não bastasse a crise económica que nos avassala de uma forma terrível.
São as leis que corporizam uma inversão de valores e princípios cristãos, tais como:
O direito ao aborto;
Ao casamento homossexual;
A pedofília;
A desautorização das autoridades policiais;
O mau funcionamento da justiça;
O desrespeito dos alunos aos seus professores;
O aumento exponencial da criminalidade que redunda em cada vez menor segurança de pessoas e bens;
A diminuição patente dos valores sociais da liberdade;
Do laxismo e da indiferença social a que os povos se acomodaram;
A destruição dos valores familiares manifestos na violência doméstica;
Na falta de disciplina dos filhos, do crescente aumento dos divórcios;
A ignorância deliberada dos valores éticos que deveriam orientar o comportamentos dos líderes e liderados;
Corrupção, mentira, exploração, opressão e até escravatura fazem parte da ordem do dia.

E que dizer dos actos terroristas que na maior selvajeria ceifam milhares de vidas inocentes, em nome de ideais políticos, religiosos.

Diria que Maquiavel, ou pelo menos o seu espírito ressuscitou!

Por outro lado, o panorama religioso tem tambémm suas falhas, pecados, fraquezas e omissões!
Uma parte significativa da igrejas cristãs, felizmente não são todas, há muito que deixaram de ser sal da terra e luz do mundo.
A igreja que outrora era olhada com respeito, até pelos seus detractores, hoje é vista como um bando de parasitas, exploradores da credulidade dos fiéis, cujos líderes só estão interessados em enriquecer à custa dos crentes.
Por causa disso a igreja é humilhada, desprezada, vilipendiada pelos seus adversários, por vezes com alguma razão!

Se não acreditam no que digo, vão para a rua e ouçam as pessoas, e como eu, corem de vergonha!

A igreja caminha no meio da maior confusão religiosa de que há memória, parece que perdeu o rumo, as convicções se esfumaram na voragem de uma suposta modernidade, esqueceu as suas doutrinas mais fundamentais, mundanizou-se, tornou-se materialista e gananciosa, competem umas com as outras em poder e riqueza, em fama e glória mundana, fruto do orgulho que há muito se instalou nos corações.

Parece-me ouvir soar as palavras do Senhor Jesus à igreja de Laodiceia: Conheço as tuas obras, que não és frio nem quente. Quem dera que fosses frio ou quente,. Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta. Mas não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.
Aconselho-te a que de mim compres... Apocalipse 3:15-18.

Tudo isso justifica o título desta postagem!
Este planeta é mais parecido com um imenso manicómio do que com outra coisa qualquer!

É possível dar a volta a esta situação? A resposta é sim um enfático sim!
Só que as soluções são difíceis e os homens e mulheres do nosso tempo não me parecem muito dispostos a enfrentar a terapia.

Homens e mulheres precisam de voltar-se para Deus!
Arrependerem-se e abraçar de novo a verdade, a humildade, a simplicidade, a fé em Deus, a observância dos valores e princípios Divinos consignados na Sua Santa Palavra.

Se isso não acontecer, o futuro ainda será mais sombrio e a loucura não terá mais remédio que lhe valha!

Deus tenha misericórdia de nós!
O KOHELETH